

Você sabe quem foi que fez o primeiro transplante de coração na história da humanidade? Desde criança aprendemos que o primeiro homem a efetuar um transplante de coração foi o cirurgião cardiologista, Dr. Christian Barnard, em Dezembro de 1967. Agora, somente muitos anos depois, é que a verdade veio à tona: O mérito principal do primeiro transplante humano de coração, não foi de Barnard, mais sim de um jardineiro. Assustado? Pois é isso mesmo, um jardineiro. HAMILTON NAKI (foto à esquerda), esse jardineiro muito especial, foi o protagonista de uma linda história de amor à medicina e, sobretudo à humanidade. Uma história de humildade e resignação. Vamos a ela:
Hamilton Naki nasceu em 26 de Junho de 1926 em uma família negra e muito pobre de uma pequena aldeia do estado de Cabo do Leste, na África do Sul, de nome Ngcingane. Lá ele completou seu curso primário. Com 14 anos de idade, de carona, foi a procura de trabalho na Cidade do Cabo, arranjando emprego de jardineiro na Universidade da Cidade do Cabo. Mal sabia ele o que a vontade Divina lhe reservava.
Logo passou a ser faxineiro e tendo acesso ao laboratório de pesquisas médicas, demonstrava grande interesse no trabalho ali realizado, sendo que por diversas vezes auxiliou técnicos em suas pesquisas. Vendo o emprenho do empregado, Robert Goetz, veterinário-chefe da universidade, requisitou Naki para o laboratório, de modo que deixou a jardinagem para trabalhar na clínica, ajudando inicialmente a cuidar dos animais cobaias. Em uma determinada ocasião, Goetz lhe pediu para segurar uma girafa enquanto ele a operava. Para surpresa de Goetz, além dessa simples tarefa, Naki foi se envolvendo com maestria em outros procedimentos cirúrgicos mais complexos, incluindo suturas, analgesias e cuidados pós-operatórios. Apesar da sua carência de estudos formais, sua técnica e capacidade foram reconhecidas, recebendo, assim, permissão especial para continuar suas pesquisas no laboratório, com animais, incluindo transplantes, embora nunca pudesse trabalhar como médico de humanos pelas leis do apartheid. Naki se converteu em um dos quatro técnicos de laboratório de pesquisa da Faculdade de Medicina. Dava assistência aos jovens cirurgiões em suas atividades com animais no laboratório, inclusive em pesquisas em transplantes de rins, coração e fígado. Mesmo registrado nos documentos do hospital como faxineiro e jardineiro, Naki recebia salário de técnico de laboratório, o mais alto do hospital para alguém sem diploma. 
Operando com maestria, aos olhos da sociedade racista, Naki era apenas o faxineiro do hospital. Nessa trajetória é que chegou a ser o homem mais importante na equipe que fez o primeiro transplante cardíaco na história, pois foi ele quem retirou do corpo da doadora o coração transplantado para o peito de Louis Washkanky, na primeira operação de transplante cardíaco bem sucedida.
CHRISTIAN BARNARD: Fama que não era só sua. 
A retirada do coração era (sendo até hoje) uma tarefa bastante complicada, meticulosa, árdua e que exige extrema competência do cirurgião. E foi realizada por Hamilton, um jardineiro. No entanto, esse gênio do bisturí não podia aparecer porque era negro no país do apartheid. O cirurgião-chefe do grupo, o branco Christian Barnard foi quem assumiu integralmente os méritos e tornou-se uma celebridade instantânea. Hamilton Naki não podia sequer sair nas inúmeras fotografias da equipe que foram distribuídas para toda a imprensa do mundo. Quando apareceu numa, por descuido, o hospital informou que era um faxineiro e que não tinha nada a ver com a equipe médica. Tudo em obediência às leis leis sul-africanas, pois um negro não podia operar pacientes nem tocar no sangue de brancos, quanto menos um que sequer estudou medicina. Virou cirurgião, mas clandestino, por deferência do hospital que viu nele o mais competente cardiologista que já conhecera em toda a sua história. Dava aulas aos estudantes brancos, mas ganhava salário de técnico de laboratório, o máximo que o hospital podia pagar a um negro.
De jardineiro a cirurgião, diplomado apenas pela vida, Hamilton jamais desfrutou da fama que lhe era devida. Ao contrário, vivia num barraco sem luz elétrica nem água corrente (foto abaixo).
Aposentou-se com uma pensão de jardineiro, de 275 dólares por mês, em 1991. Depois que o apartheid acabou em 2002, ganhou uma condecoração e um diploma de médico “honoris causa”, bem como o reconhecimento da Ordem Nacional de Mapungubwe. Em 2003 recebeu um diploma honorário em medicina pela Universidade da Cidade do Cabo. Aposentado, Naki continuou trabalhando como cirurgião em um ônibus adaptado como clínica móvel.
Morreu em maio de 2005 ao 78 anos de idade, na pobreza como sempre viveu. 
A referência mais completa que se teve sobre essa bela história, que fincou marco na medicina mundial para sempre, foi um artigo publicado pela revista “The Economist”. A homenagem é tardia sim, mas repercutindo a história de Naki, nesse grande universo que é a internet, estaremos fazendo alguma justiça a esse grande benfeitor da humanidade. Fica com Deus, amigo.
25/02/2011
TRIBUTO A HAMILTON NAKI
Postado por
MIRANTESUL
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25.2.11
Marcadores: Africa do Sul, apartheid, cirurgiao, faxineiro, Hamilton Naki, jardineiro, transplante de coração
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