09/12/2011

PORTE DE ARMA

Carro potente na mão de mauricinho irresponsável, é pior do que um fuzil na mão de uma criança. O número de acidentes envolvendo a "classe alta" vem aumentando assustadoramente. E o que pior, impunemente. Os processos se arrastam por tantos anos na Justiça que o crime acaba prescrevendo. E os pleiboizinhos sabem disso, quanto contam com o endinheirado papai e sua troupe de advogados. Nesse momento em que se discute uma legislação mais severa para crimes de trânsito, seria adequado questionar sobre a venda desses veículos superpotentes para qualquer um que traga um saco de dinheiro. Não se questiona o direito de eles gastarem seus milhões como bem entenderem. O que se questiona é a disposição livre e incondicional de uma ARMA dessas, com 620CV, a um indivíduo que não tem tarimba para tal e tampouco o mínimo respeito à vida dos seus semelhantes. Defendemos a idéia de que quaisquer veículos automotores com velocidade maior do que 140 Km/h só possam ser vendidos mediante termo de responsabilidade assinado pelo comprador, com o compromisso de não desenvolver velocidades superiores (exceto nas competições esportivas em locais oficialmente destinados a elas) sob pena de perdimento do bem, mais processo civil e criminal onde for o caso. Além disso, seria formado um cadastro nacional de proprietários de veículos com potência superior a 300CV, a exemplo do que se faz com relação ao porte de armas, com restrição definitiva de propriedade de tais veículos a motoristas envolvidos em acidentes com pena criminal transitada em julgado. Paralelamente, a concessionária responderia criminalmente pela venda a pessoas não autorizadas.  Agora, aqui entre nós, para que é que alguém precisa de um carro que voa a 300 km/h num país onde o limite máximo de velocidade é 120 km/h? Num país onde nem existem estradas para isso...

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