Normalmente a gente cuida bem daquilo que nos é bom e útil. Não se mede esforços no sentido de preservar a continuidade de fatos e situações favoráveis. Essa deveria ser a tônica das autoridades de Florianópolis, quando se trata do turismo. Entretanto, não é isso que acontece. Trata com leniência e incompreensível apatia o abusivo aumento de preços de produtos e serviços nas temporadas, onde a idéia é "depenar o turista". O escancarado despejo de esgoto nas praias é invisível para os órgãos ambientais, que pouco ou nada fazem. Ante a ocupação desordenada, o desrespeito à natureza, entre outros problemas graves que assolam a cidade, o poder público é inoperante. Antes disso, trata de também tirar a sua “casquinha”. É o caso das multas abusivas na orla onde não há disponibilidade de estacionamento. Diante desse quadro,veja e decida quem é inimigo de Florianópolis:
ESTACIONAMENTO NÃO. MULTAS SIM.
Na Praia da Lagoinha não há estacionamento público nem tampouco espaço alternativo para isso.
A exemplo de outras praias de Floripa, pousadas e casas particulares fecham totalmente o acesso à praia.
Entretanto, MESMO SEM PLACAS DE SINALIZAÇÃO PROIBINDO O ESTACIONAMENTO (Veja foto abaixo), no lado direito da via de quem segue em direção a Ponta das Canas, a prefeitura trata de distribuir multas, indiscriminadamente.

Além disso, a empresa JURUNA AUTO MECÂNICA efetua guinchamentos de carros, cobrando valores abusivos para a liberação dos mesmos e fornece recibos assinados por seus empregados, só que em papel com timbre da SINASC SINALIZAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE RODOVIAS LTDA. Questionada se havia participado de licitação para a concessão desse serviço, a empresa se manteve em silêncio. Há vários casos de veranistas que, ao final da tarde, tiveram a traumática surpresa de ver espaço vazio onde estavam seus carros. Teriam sido roubados? Até descobrirem o que realmente aconteceu, precisaram sair apenas em trajes de banho, sem dinheiro e pertences que ficaram nos veículos guinchados para encetar uma maratona na liberação do automóvel. Os que contavam com parentes, ainda puderam pedir ajuda. Outros, tiveram de deixar suas famílias na rua, até resgatar o carro ou conseguir algum transporte alternativo.
Não seria o caso de apenas orientar, mormente em se considerando a inexistência de placas proibitivas? Ou, quando muito, não bastava apenas multar, mesmo que ilegalmente? Não. Foi preciso guinchar, prejudicar, mostrar aos turistas o quanto somos retaliativos e intransigentes. O quanto os queremos bem. Bem longe.
Enquanto 6 (nada menos que 6) policiais se ocupavam em multar e guinchar os turistas na Lagoinha, no trevo da Cachoeira com a SC 401 (geral dos Ingleses, onde não há semáforo por desídia da PMF), o trânsito continuava engarrafando, por falta de sequer um policial para coordenar no local. Como em todos os anos. Somos amigos dos turistas?
OCUPAÇÃO ILEGAL
Enquanto alguns gozam da regalia de “praias particulares” (dentro de uma estranha tolerância dos órgãos ambientais), outros se obrigam a ficar confinados em pequenos espaços para usufruir da mesma praia. Na Lagoinha, por exemplo, casas como a da foto, ocupam encosta de morro e invadem a praia com suas escadarias e muros. Banhistas se encarapitam na escada, para aproveitar a praia. Além disso, vários canos de descarga de esgoto, escondidos entre as pedras na encosta, despejam fluídos o dia todo. Somos amigos dos turistas?
Fica aí uma pergunta para a Prefeitura de Florianópolis, para as autoridades de trânsito e as ambientais: É a essa qualidade de vida que vocês se referem quando falam de Florianópolis à imprensa?